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Década de 20 a 40 – A Evolução da Moda Praia

Há dois séculos as pessoas, principalmente as mulheres, não costumavam ir à praia. A pele branca do estilo europeu era valorizada, o bronzeado era associado às escravas e índias e demonstrava uma classe menos favorecida, as mulheres usavam véus nos rosto para não se queimarem. Na época, o banho de mar só poderia ser tomado mediante a receita médica. No início dos anos 20 o traje de moda praia eram os macacões com bermudas complementados com acessórios, como sapatos, cintos, lenços e toucas.

As primeiras peças de maiô e biquíni nos anos 40 eram de uma elanca muito rígida com pouca elasticidade ou de lã, tudo para que o banhista não pegasse um resfriado. As peças incluíam, para as mulheres, toucas e para ambos os sexos, sapatos (tamancos e botinas). Essas peças eram usadas após 1800. Em 1846 surgiu o calção, peça justa e ousada, desenvolvida com a proposta de dar maior liberdade de movimentos aos nadadores.

 

Figura 1 – Início da moda praia – Fonte: Boston Public Library

 

Figura 2 Roupa de praia anos 20. Fonte: moda.terra.com.br

 

O esporte teve grande influencia na moda praia, tanto que a “ousadia” se limitava aos atletas que podiam mostrar braços e pernas. Somente no início do século XIX quando os esportes começaram a ganhar espaço e popularidade, especificamente a natação, as pessoas começaram ir à praia. Surgiu então a necessidade de desenvolver uma peça para homens e mulheres se banharem em piscinas e praias.

Figura 3 Roupa desenvolvida para esportistas. Fonte

 

Figura 4 Traje de banho para homens e mulheres. Fonte: moda.terra.com.br

 

Figura 5 Trajes sob medida. Fonte: mdig.com.br

 

Os trajes eram compostos por um tipo de calção até o joelho, uma túnica, uma capa longa amarrada nos ombros, meias e sapatos. Cobriam o máximo possível do corpo causando desconforto para o banho. Depois o conforto se tornou importante e as peças de banho encurtaram, as pernas foram ficando inteiramente descobertas e surgiram os decotes nos ombros, colo e costas.

A novidade do biquíni era ser de duas peças separadas deixando o umbigo a mostra, um fator que escandalizava a sociedade conservadora. As mulheres se reuniam em grupo para ir à praia de biquíni e se sentiam mais encorajadas em deixar o umbigo a mostra.

Como até nos dias de hoje é de praxe a sociedade reprovar o que é novo, o biquíni naquela época foi julgado como uma afronta aos bons costumes e levou o apelido de “imoral”, sendo condenado o uso nas praias ditas “de família”.

Sendo um modelo escandaloso que ousava contra os padrões nos momentos finais da Segunda Guerra, o biquíni veio para revolucionar o vestuário de praia e provocou um enorme escândalo em vários países como: Itália, Portugal, Espanha e Bélgica, sendo imediatamente interditado nas praias. O Vaticano, por exemplo, chegou até mesmo a divulgar uma nota assinada pelo papa Pio XII, contra o uso dessas peças por mulheres católicas.

A manifestação de jornais e revistas demorou a chegar às lojas. A imprensa que supostamente é mais aberta às novas ideias, também desaprovou o biquíni, chegando mesmo a dizer que o modelo não duraria mais de quinze dias, tornando-se um equívoco imperdoável, já que o mesmo mostrou ao mundo fashion que nunca se utilizou tão pouco tecido para lançar uma tendência capaz de revolucionar praias e piscinas do mundo inteiro.

Segundo reportagem da Folha de São Paulo (1986), tratando deste assunto, apesar de toda a euforia em torno do novo traje de banho descrito por um jornal da época como “quatro triângulos do nada”, o biquíni não vingou logo de cara. O primeiro modelo era de algodão com estampa imitando a página de um jornal.

O primeiro traje de banho foi lançado em 26 de junho de 1946 e causou um escândalo, sendo até condenado pelas autoridades religiosas e proibido em muitos países.

Réard não conseguia que nenhuma modelo aceitasse usar um traje de banho tão pequeno, na época mostrar o umbigo era inaceitável. A primeira mulher a desfilar com um biquíni foi Micheline Bernardini, na borda de uma piscina pública de Paris, no dia 05 de julho de 1946. Ela era stripper do Cassino de Paris e pousava para revistas da época. Todas as manequins da época se recusavam em vestir um traje tão “minúsculo”, por isso todas as fotografias do primeiro biquíni eram feitas na stripper, a única a encarar o desafio (MAGALHÃES, 2006).

Figura 6 Micheline Bernardini. Fonte

 

Apesar de conseguir lançar e apresentar sua invenção como queria, Réard teve que inovar seu modelo para se tornar mais aceitável e comercial. Dessa forma subiu a parte da calcinha para tapar o umbigo e colocou babados para disfarçar as formas. Quanto a parte de cima, ficou maior, parecida com os sutiãs usados na época, deixando de ser apenas dois triângulos finas com fitas de amarrar.

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